terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade?

Recebemos este artigo de uma amiga do outro lado do Atlântico.

Palavras sábias do imperdível site http://www.todacriancapodeaprender.org.br/ e que adaptámos para os “Índios e Cowboys”.





O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? 

 Essa foi a pergunta feita por uma mãe, num  fórum de discussão sobre educação de filhos, preocupada em saber se o seu filho saberia o suficiente para a sua idade.
Segundo Alicia Bayer, no artigo publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffington Post -, o que não só a entristeceu mas também a irritou foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar.
Para contrapor às listas indicadas pelas mães, em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e apelido, saber contar até 100, Alicia Bayer organizou uma lista bem mais interessante para que todos os pais e mães considerem o que uma criança deve saber.
E estes são alguns exemplos:

  •      Deve saber que a amam, incondicionalmente e em todos os momentos.
  •   Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos com outras pessoas e em diferentes situações.
  •      Deve saber os seus direitos e que a sua família sempre a apoiará.
  •     Deve saber rir, fazer caretas, brincar aos polícias e ladrões, aos bons e maus e utilizar a sua imaginação.
  •      Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.
  •      Deve saber que o mundo é mágico e ela também.
  •      Deve saber que é fantástica, inteligente e criativa.
  •     Deve saber que passar o dia ao ar livre a fazer  colares de flores, bolos de areia e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Na verdade, é muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

  •      Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.
  •      Que o factor de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches da moda, nem jogos e computadores, apenas necessita que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.
  •      Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir aos nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos a proporcionar  são vidas com múltiplas actividades e cheias de tensão como as nossas.
  •       Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  •      Que as nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia desfazer-se de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.
  •     Que os nossos filhos necessitam mais de nós. Vivemos numa  época em que as revistas para pais recomendam que temos de dedicar apenas 10 minutos diários a cada filho e reservar um sábado por mês dedicado à família.

·    Os nossos filhos necessitam dos computadores e  das actividades extra-curriculares , muito menos do que precisam de nós? 

  •      Necessitam de pais que se sentem para ouvir o relato do que fizeram durante o dia, de  pais que se sentem e que façam trabalhos manuais com eles.
  •     Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora.
  •      Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que demoremos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho.
  •   Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.


Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?

Muito menos do que pensamos e muito mais!
Para ver o artigo completo do Huffington Post (versão castelhana) cliquem aqui.


Imagens via Pinterest 

16 comentários:

  1. Certíssimo! Tenho um casal de gémeos de 4 anos que mo fazem isso a toda a hora. E mesmo os mais velhos (tenho outro de 8 e outro de 10) o que precisam de nós é sobretudo de amor, tempo e atenção. E só temos a beneficiar com isso.
    PS - Vou partilhar no meu blog, pode ser? (http://coisasdepais.blogspot.com) E continuação de um bom trabalho!

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  2. Grandes verdades. Gostei especialmente da parte que foca que podíamos reduzir os brinquedos em 90% que eles nem dava conta. A minha filha tem o quarto dos brinquedos lotado e o que mais gosta de fazer é brincar ao faz-de-conta. Ela é uma princesa e eu o príncipe ou a Rainha ou o cavalo. Os único acessórios que não dispensa é uma cora e um vestido comprido (que até pode ser um avental!). Haja imaginação e vontade de brincar.

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  3. Grandes verdades. Gostei especialmente da parte que foca que podíamos reduzir os brinquedos em 90% que eles nem dava conta. A minha filha tem o quarto dos brinquedos lotado e o que mais gosta de fazer é brincar ao faz-de-conta. Ela é uma princesa e eu o príncipe ou a Rainha ou o cavalo. Os único acessórios que não dispensa é uma cora e um vestido comprido (que até pode ser um avental!). Haja imaginação e vontade de brincar.

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  4. Tenho um filho de 4 anos e simplesmente ADOREI o post.
    Há tantas mães que conheço que precisavam de o ler.
    Continuação do excelente trabalho :)
    Joana

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  5. Concordo totalmente com o texto. Aquela que me parece ser a contradição essencial dos nossos tempos é que, por um lado, de proíbe o trabalho infantil com base nos direitos da criança (o que evidentemente está certo!) e, por outro, a maior parte dos pais dá computadores, ipads, tablets, tv's às crianças e obrigam-nas a ter todo o tipo de actividades em horários certos e determinados (aulas de informática, ballet, judo, equitação, natação, ...). Ora, os computadores não são mais do que uma ferramenta (como o foi a enxada, noutros tempos) e essas actividades - se perderem o caráter lúdico e passarem a ser imposições destinadas a posicionar as crianças na competição do mundo actual - mais não são do que trabalho. Ainda bem que há quem não pense dessa forma e deixe as crianças brincar e crescer à vontade! :)

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  6. Neste texto, sobre as crianças, está ali tudo dito. Fiquei sem palavras!
    Grande visão deste mundo supérfluo e egoísta em que vivemos, esquecendo aquilo que é verdadeiramente importante. ESPETACULAR!!!

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  7. Muito obrigado pelos comentários! Que bom saber que todos pertencemos à mesma Tribo!
    Melhor começo de novo ano era impossível!
    Chefe Índio

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  8. Percebo o que querem passar neste post e considero que tem uma grande importância... mas com ele estão a dizer que quem não é amado aos 4 anos não vai ser ninguém na vida? Que basta uma leitura para desenvolver o raciocínio das crianças? que não se deve exigir nada das suas cabecitas que aos 4 anos são uma autêntica esponja de conhecimento, como podem estas crianças estar preparadas para a exigência a que se vão expor nas escolas e empregos. Eu tenho pena de na altura que eu tinha 4 anos os meus pais não me terem ensinado a tabuada até ao 20, fazer derivadas e integrais, falar 10 línguas diferentes, onde aos 4 anos tudo é considerado simples de assimilar. Não podemos ser generais mas também não podemos deixar fluir e verificar o desemprego jovem nos 45%.

    Obrigado pela atenção

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    Respostas
    1. Concordo que as crianças devam - já aos 4 anos - aprender diversas coisas (letras, números, música e, de preferência, tenham também contacto com museus e línguas estrangeiras) e considero importante que a escola (em geral) seja mais exigente mas acho que estar a exigir que as mesmas "aprendam" como crianças mais velhas, adolescentes ou adultos é roubar-lhes inocência, parte da criatividade e a melhor parte da infância. E, quanto ao desemprego jovem, considero que as causas do mesmo não têm a ver com o grau de conhecimentos, tanto é que o mesmo é transversal (em termos de nível social, cultural, económico) e internacional.

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  9. Ao ler aos seus filhos, estimular-lhes a criatividade, dar-lhes atenção e carinho parece-nos que já é mais de meio caminho para serem "alguém na vida": adultos responsáveis e sensíveis, de espírito aberto e cidadãos do mundo.
    Mas isso é apenas a nossa opinião...e se os nossos pais nos tivessem forçado a saber a tabuada até ao 20, fazer derivadas e integrais, falar 10 línguas diferentes aos 4 anos, seríamos um caso de internamento psiquiátrico...porque nós queríamos ser apenas índios e cowboys...:)

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  10. Gostei muito! Tranquilizante... para pequenos e graúdos. Vou postar no meu FB.

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  11. Lindo e reconfortante. Obrigada pela partilha. Felicidades :)

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  12. Excelente post :) Obrigado pela partilha.
    Pessoalmente gosto de desenvovler historias e estimular a criatividade.
    Fiquei extremamente enternecido quando a minha filha de 4 anos demonstrou iniciativa para ajudar o Pai natal de uma forma muito própria.
    Permitam-me que partilhe essa pequena historia que aconteceu comigo, e partilhem comigo as vossas historias:
    http://flytothecloud.blogspot.de/2013/12/santas-helper.html
    Abraco a todos e divertam-se imenso com os vossos de 4 anos :)

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